Quando surgem imprevistos na viagem…

Por mais que planejemos, acidentes, aborrecimentos e imprevistos de toda ordem podem ocorrer numa viagem. Então, o que fazer?

Como viajo muito, é evidente que já passei por muitos e ainda passarei, tenho consciência disto. Recentemente passei por um susto, que embora fosse previsto, era pouco provável.
No dia 03/10/16, embarcamos com intuito apenas de desestressar, num Cruzeiro de quatro dias no navio Enchantment of the Seas, da Royal Caribbean, com destino a Nassau, Cococay e Key West. Contudo, poucos dias antes de viajar recebemos e-mail da Royal informando que o navio iria desviar de Nassau por causa do furacão Matthew com previsão de atingir a ilha, e por isto ela seria substituída no roteiro, por Cozumel. Nem nos preocupamos, pois sabemos que furacões na área são previsíveis naquela época do ano, o navio é seguro e tem como desviar.

O Enchantment of the Seas, navio do nosso Cruzeiro
O Enchantment of the Seas, navio do nosso Cruzeiro

O embarque em Miami foi tranquilo e nem havia sinais de furacão.

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Saída do navio em Miami
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Primeiros momentos no Cruzeiro
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Dia lindo em Miami, na saída do navio
Vista linda de Miami, na saída
Vista linda de Miami, na saída do navio

O primeiro dia foi de navegação e no segundo estava programada uma parada em Cozumel, só pela manhã. Como o tempo era curto, não arriscamos circular pela ilha, até porque já a conhecíamos e assim ficamos apenas nas imediações do porto, e circulando pelo centro que fica cerca de cinco quilômetros dali. Por outro lado, tínhamos recebido uma mensagem informando que uma pessoa muito querida da família, havia sido hospitalizada. Então ficamos muito tensos…

Retornamos ao navio por volta de meio dia e desde então as más notícias foram aumentando: o furacão estava se intensificando, e por isto não haveria mais nenhuma das paradas programadas nas ilhas de Cococay e Key West; e as notícias de nossa parente não eram boas.
Então, não tivemos dúvidas, entramos em contato com a LATAM para antecipar nosso voo de volta para o dia de chegada em Miami, 07/10/16, mas infelizmente não foi possível, porque, segundo a empresa, muitos voos estavam sendo cancelados e muita gente estava saindo da cidade e da Flórida, justamente com medo do furacão.
Nós estávamos bem e seguros no navio, mas todas as notícias sobre os lugares por onde planejávamos ir eram preocupantes.
O Furacão ainda era de grau 4, estava previsto para chegar em Miami justamente na véspera da chegada do nosso navio e soubemos que o porto e aeroporto estavam fechados, por isto o Capitão comunicou que atrasaria o nosso retorno. Havia até a possibilidade de sermos desviados para outro porto, dependendo do estrago que o Matthew faria em Miami. Tudo era muito incerto e os nossos familiares começaram a mandar mensagens e telefonemas, preocupados também com a nossa segurança.

Com esse quadro, tivemos que agir rápido: pela internet, compramos um voo da Avianca para o dia 08/10/16 (foi o que conseguimos); cancelamos nossas reservas de carro e hotéis em Orlando, para onde o furacão também estava se dirigindo; reservamos uma diária de hotel em Miami e fizemos nova reserva de carro por menos tempo. Perdemos as diárias de hotel que havíamos reservado pelo Booking.com, sem reembolso, e pagamos mais caro por tudo, óbvio! Mas tínhamos, dois grandes motivos para agir rápido: a ameaça do furacão pelo nosso roteiro de viagem – que muito nos surpreendeu, porque não havia previsão de ele ir para Miami e Orlando dias antes – e um caso de doença grave na família. Então temíamos que se demorássemos a agir, não conseguiríamos voo e hospedagem em tempo.
Depois disto, só nos restava acompanhar os noticiários, esperar e aproveitar o navio, se possível. Com uma parente querida na UTI não era fácil, mas tentamos pelo menos descansar, até porque, não sabíamos o que nos esperava em Miami, já que aquela seria nossa primeira experiência com um furacão.
É lógico que o nosso cruzeiro ficou prejudicado, porque não paramos em nenhuma das ilhas previstas e, embora no mar o tempo estivesse bom e seguro, perdemos o ânimo para curtir todas as possibilidades de entretenimento oferecidas pelo navio, principalmente por causa do problema de saúde na família. Então aproveitamos para descansar, comer bem, pegar um pouco de sol, ver a alegria dos outros e rezar para que tudo desse certo.
No navio, em momento algum nos sentimos inseguros ou desassistidos e o Capitão nos tranquilizava e nos mantinha informados. Inclusive, no último dia, quando nos aproximávamos de Miami, a internet e o telefone foram liberados para quem quisesse se comunicar com as famílias ou a Companhia Aérea para fazer alterações de voos.

Assim, chegamos ao final do cruzeiro, sem nos divertir, mas tranquilos e sem transtornos, o que comprova mais uma vez a segurança do navio.

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Tentamos descansar e curtir o navio…

 

O jeito era aproveitar pelo menos o navio
O jeito era aproveitar pelo menos o navio

Para nós, a última noite foi tensa porque não sabíamos como Miami estaria e também pela incerteza se conseguiríamos pegar o voo para São Paulo, onde outra preocupação nos aguardava. Ademais, com a proximidade de Miami, na madrugada o tempo começou a ficar feio e o navio balançou bastante, o que nos deixou um pouco mais tensos.

Imagem da cabine durante o Cruzeiro
Imagem da cabine durante o Cruzeiro
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Imagem da cabine na noite anterior da chegada em Miami

Contudo, ao chegarmos em Miami, graças a Deus o tempo estava nublado, com ventos fortes, mas estável e não havia sinais aparentes da passagem do furacão, uma vez que ele passou por ali apenas contornando o litoral, distante da orla, o que nos tranquilizou.

Imagem da chegada em Miami: tempo feio, mas estável...
Imagem da chegada em Miami: tempo feio, mas estável…

Mesmo assim, como não havia melhoras na saúde da nossa parente e o nosso próximo destino (Orlando) ainda estava sob a ameaça do furacão, tivemos que retornar, afinal, o objetivo da nossa viagem era descansar e nos divertir e não seria mais possível, porque ninguém consegue fazer isto testemunhando o sofrimento alheio (já que Orlando foi bastante afetada) e ainda com uma preocupação dessa natureza na cabeça.

Por fim, precisamos registrar que contamos com o apoio da Volotour, a agência de viagem onde compramos as passagens aéreas que se empenhou em nos ajudar e ainda tentou, junto à LATAM antecipar nosso voo de Miami para Recife. Mas não conseguiu nem manter a perna do voo de São Paulo para Recife e tivemos que comprar depois outra passagem por nossa conta para esse trecho. Nossa volta de Miami foi direto, pela Avianca, para São Paulo.
Ao chegarmos em São Paulo, ainda tentamos novamente com a LATAM remarcar para Recife, aproveitando o trecho do nosso bilhete de São Paulo a Recife, mas a empresa se manteve irredutível e nem flexibilizou a bagagem, que é limitada a 23 kg no voo nacional.

O Hotel Best Western, de Miami, onde tínhamos reserva no percurso cancelado, foi muito compreensivo e dispensou a multa pelo cancelamento, mas o Westgate Palace, de Orlando, nem se dignou em responder nosso pedido de dispensa da multa…

Ao final, nossa viagem foi prejudicada, mas não estragada, porque graças a Deus deu tudo certo, agimos rápido, adotamos as providências necessárias em tempo de desviarmos do furacão e chegarmos em São Paulo para cuidar e dar o nosso carinho à nossa parente, que já está se recuperando bem.
De tudo isto fica a dica: nessas horas, o que importa é ter calma, buscar o máximo de informações, agir rápido e com desprendimento, porque o mais importante é a vida e as pessoas.
Ah! E ainda bem que optamos pelo Cruzeiro, pois foi o lugar mais seguro para estarmos na Flórida, naquelas circunstâncias…

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