Sentada no aeroporto, enquanto esperava meu marido que tinha ido na Locadora de veículos, de olho nas malas e na entrada, eu observava o movimento das pessoas.

Achei curioso que no aeroporto se vê cada coisa!

Ao meu lado um homem esperava com uma bolsa transportando um cãozinho. Eu me imprensei entre ele e outra pessoa, colocando nossas malas bem à minha frente, para visualizá-las com segurança. 

Fiquei um pouco constrangida com o excesso de cuidado, mas ali eu estava autorizada pela cautela e pelo cansaço. 

Porém, o constrangimento durou pouco. Logo depois uma mulher chegou se aproximou do homem e  do cãozinho sorrindo para ambos com carinho. Ele se levantou e os dois se abraçaram com ternura. O homem entregou o animalzinho pra ela, beijaram-se novamente e ele beijou o Pet também, despedindo-se de ambos. Eu fiquei enternecida e aliviada, pois me sobrou mais espaço pra me acomodar com minhas malas. Sentei e me pus a observar e conjecturar.

Uma mulher veio apressada, parou, olhou o visor indicativo dos voos e retornou correndo. Acho que estava na hora do seu embarque e ela errou o portão. Coitada!

Numa cidade fria como Milão, naquela época, a maioria se vestia de preto, marrom ou outras cores escuras, mas uma jovem senhora desfilava vestindo um casaco com estampas como se fosse um jornal e eu achei interessante e criativo, pois quebrou a austeridade que o frio impõe. Isto me fez refletir: Por que em lugares frios prevalecem as cores escuras?  A melhor resposta que eu encontrei é que deve ser por conveniência, pois as roupas com cores escuras sujam menos, podem ser usadas mais de uma vez e lava-se menos. Isso inevitavelmente me levou a pensar que essas pessoas poderiam até parecer elegantes, mas não necessariamente estariam cheirando bem. Nossa! Como pude pensar isto?!

Mas é fato que no aeroporto ou as pessoas se importam demais com as aparências ou se importam de de menos. São extremadas e nem sempre em harmonia com o ambiente.

Uma criança passou arrastando uma mala rosa, vestindo um casaco grafite quase longo e uma touca também rosa. Quase sempre as meninas usam rosa em suas roupas e malinhas…ficam uma gracinha! Por sua vez, uma senhora usava um casaco marrom de couro e pele, parecendo um urso pardo deslocado, em pleno aeroporto; outra com um casaco claro de lã e muitos pelos nos ombros, parecendo uma flor de algodão.

Naquele frio, os pescoços apareciam raramente e as pessoas usavam todos os artifícios para proteger a garganta, desde lenços que pareciam lençóis a echarpes que se assemelhavam a mantas. Alguns preferiam um tipo de acessório que se pareciam com as “rodias” que as mulheres nordestinas do campo usavam antigamente para carregar água com lata na cabeça.

Gorros e chapéus eram muitos e de todos os tipos, até de verão em pleno inverno. Uns com flu-flu, outros que denegriam a imagem da pessoa; outros que embelezavam, e assim sucessivamente.

Os sapatos mereciam destaque. Naquela época as botas eram as preferidas. De todos os tipos.  Elas empoderam quem as calça, acrescentando elegância e charme. Depois delas, vinham os tênis, que tem papel diverso, impondo liberdade, despojamento e oferecendo conforto. Difícil é escolher a melhor forma de andar por aquelas terras. Mas havia até os de “pés quentes” que se aventuravam em usar sandálias abertas e rasteiras. O que será que esses queriam mostrar, ao expor os pés em lugar tão frio?

Era tão bom ficar assim, ao acaso, de férias, curtindo essas coisas diferentes e excêntricas, perdida na multidão enquanto esperava o maridão.

Muitas vidas ali se cruzavam. Muitas histórias interessantes em cada uma daquelas vidas. Muitas curiosidades e segredos guardados nas suas bagagens…

Mas uma pergunta me ocorreu: como os outros estariam me vendo? 

Ah! Pensei. Deixa pra lá. O importante era estar lá. Era viajar!  Na vida e na imaginação. 

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